
Em um quilombo maranhense as mulheres vão para a roça, cuidam dos filhos, zelam da casa, produzem cerâmica e reivindicam por seus direitos. Além disso, o quilombo usufrui de um comando feminino que não foi tomado à força, mas pelo reconhecimento da mulher, da influência que exerce e do seu poder de liderança.
Em Alcântara (MA), a artesã Neide de Jesus, 69 anos, é líder do quilombo de Itamatatiua que possui mais de 310 anos de existência e atualmente cerca de 170 famílias vivem no local.
Uma antiga fazenda da Ordem do Carmo foi doada a um casal de negros escravizados que doaram as terras à Santa Teresa de Jesus, que foi a dona simbólica do espaço territorial. Assim, a grande maioria da comunidade que tem entre 60 e 70 anos, possui o sobrenome ‘De Jesus’, a exemplo de sua liderança, Neide de Jesus.
A origem do quilombo se dá quando a Ordem do Carmo deixou a fazenda, expulsa em virtude da situação política da época, ficando a terra para os negros escravos que povoavam o local. Surge então o Quilombo de Itamatatiua, cujo significado vem da união de três palavras indígenas: Ita (terra), Mata (peixe) e Tiua (rio).
Dona Neide, a líder, nasceu em 2 de novembro na antiga fazenda carmelitana de Alcântara, ela conta que antes de terem a posse da terra todos viviam de forma instável. “Nós não tínhamos apoio e isso nos tornava inseguros, porque não havia nenhum documento em mãos que nos assegurasse”, relembra.
Quando a fazenda passou a ser de propriedade dos negros tiveram que enfrentar vários obstáculos, pois não haviam casas de alvenaria, somente casas de taipa. “A nossa comunidade também não tinha estrada para ir para casa”, complementa.
Após o falecimento de seu Eurico de Jesus, pai de Dona Neide, a artesã tornou-se líder do quilombo de Itamatatiua, e está à frente da comunidade há três décadas.
Para Dona Neide, no início, assumir a liderança foi um desafio, pois enfrentou obstáculos. “Eu passei um pouco de dificuldade quando fui escolhida para tomar a frente do quilombo, pois eu não tinha nenhum tipo de conhecimento”. Assim como Dona Neide, parte da população do quilombo, principalmente os idosos, não tiveram a oportunidade de estudar.
Apesar dos percalços, Dona Neide conseguiu superar as diferenças. Mesmo sem saber ler e escrever, obteve conhecimento próprio, experiência que a vida lhe proporcionou, e decidiu empenhar-se pelo quilombo e lutar por aquilo que acreditava. Dona Neide uniu-se com as demais artesãs da comunidade e criaram a Associação de Mulheres de Itamatatiua. Ela reconhece a força e a união das mulheres. “O desenvolvimento da nossa comunidade foi possível depois da criação da nossa associação”, destaca.
No quilombo as mulheres reivindicam a participação dos governos estaduais e municipais. Itamatatiua é uma sociedade matriarcal, a grande maioria do seu efetivo no que diz respeito à liderança, à luta e busca por direitos, benfeitorias, manutenção de sua cultura tradicional, assim como dentro de casa, vem das mulheres da comunidade.
Todos os que vivem na comunidade reconhecem que foi pelo empenho das mulheres que a comunidade de Itamatatiua teve um desenvolvimento significativo, o qual trouxe grande satisfação para a líder do quilombo. Dona Neide revela as benfeitorias alcançadas na comunidade pelas artesãs. “Através da associação nós conquistamos muitos benefícios, como por exemplo, a energia elétrica, a pousada, o centro de produção e o nosso poço artesiano, o poço da comunidade. ”
As artesãs da associação produzem o principal produto de Itamatatiua, a cerâmica. É por meio dessa produção que a comunidade vem sendo conhecida nacional e internacionalmente, com a fabricação de um artesanato feito de maneira tradicional. Produzem também farinha de mandioca, arroz, feijão, milho e batata. A Associação de Itamatatiua é de mulheres que têm no artesanato e na cerâmica um importante elemento de sua identidade cultural e fonte de renda, e por meio deles, elas empoderam outras mulheres e valorizam seu patrimônio cultural.
A cerâmica que inicialmente era produzida apenas em casa pelas mulheres, hoje é levada para a sede do quilombo, na cidade de Alcântara, além de cidades vizinhas e para a capital São Luís (MA). O artesanato de Itamatatiua também é levado para outros países por meio dos turistas internacionais que vão à comunidade conhecer a história do quilombo e suas tradições.
Para Dona Neide, atualmente, a maior dificuldade que enfrenta no quilombo se resume à manutenção das tradições. “A nossa maior luta é a falta de apoio para manter as nossas tradições, que pertencem aos nossos ancestrais e que devem ser passadas às outras gerações”. A herança dessa comunidade é com a atuação efetiva das mulheres locais na produção do artesanato tradicional, dos festejos religiosos, das danças e ritos, partes de uma cultura material e imaterial rica, porém com risco de desaparecer. Possui também lendas e mitos ainda perpetuados pelos moradores locais.
Muito do que se preserva até hoje no quilombo se deve à força de uma mulher guerreira, que assumiu a liderança e que decidiu acreditar em si mesma e, principalmente, nas pessoas a sua volta. Essa liderança não vem do início do quilombo, mas foi assumida décadas atrás e continua através de gerações, tendo em Dona Neide de Jesus um dos baluartes da comunidade, sendo ela não só a líder oficial como simbólica, respeitada por todos, dentro e fora do quilombo.
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
Gabriela Morais, estagiária sob supervisão da Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Contatos: (61) 2020-0120 e imprensa@mda.gov.br

Aos 23 anos, Bruna Carla Dariva abraçou um desafio. Jovem, mãe solteira e com vontade de fazer diferente, a filha de agricultores familiares tomou a frente dos negócios dos pais na comunidade de Rio Verde Dourado, zona rural de Erechim, a 370 km de Porto Alegre. Hoje, sete anos depois, ela se sente realizada.
Bruna relata que durante a caminhada nem tudo foram flores. “Por ser mulher a gente tem que provar duas vezes que a gente é boa, por vivermos em uma sociedade machista. Escutei de muitas pessoas de que pelo simples fato de ser mulher e jovem eu não iria conseguir. Isso não me desanimou e aos poucos fui ganhando meu espaço. ”
E o resultado de tanto trabalho gerou frutos. Aos 25 anos, Bruna fundou a Associação da Feira Central dos Produtores Rurais de Erechim, que possibilita que 45 famílias de agricultores familiares, liderada em sua maioria por mulheres, possa comercializar seus produtos diretamente para o consumidor final toda semana. Além disso, este ano, a agroindústria de Bruna, a Niara Laticínios Artesanais foi premiada com o Troféu Senar – O Sul na categoria Agroindústria Familiar Rural –, o mais importante da Expointer e um dos mais significativos prêmios do agronegócio do Rio Grande do Sul.
Ela comenta que nunca imaginou receber um prêmio de tamanho porte. “Esse reconhecimento é a certeza de que eu estou no caminho certo. Serviu para sacramentar o meu trabalho e me assegurar que indo por essa direção eu só tenho a crescer. Tenho consciência de que não irei mudar o mundo, mas se eu puder mudar o local que eu estou inserida, mudar a vida de uma pessoa que seja, já vai ter valido muito a pena. ”
Bruna deixa um recado para todos os jovens rurais. “Não desistam! Não desistam dos sonhos, não desistam de sonhar. Porque é através do nosso trabalho, através das nossas mãos que a gente alimenta muitas pessoas. É através da produção do campo que a gente gera vida. Agricultura familiar é o caminho para um país sustentável. Eu acredito muito na agricultura familiar, eu vejo que é sim possível ter uma qualidade de vida e a gente não pode esquecer que a gente que alimenta a cidade. Porque se o campo vai bem, a cidade vai bem. ”
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
Carolina Gama
Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Contatos: (61) 2020-0120 / 0122 e imprensa@mda.gov.br

Mapulu Kamayurá é líder feminina do Parque Indígena do Xingu. Foi nomeada autoridade na aldeia ainda criança, pelo pai, o cacique Kotok, e pela tia, que também atuava como liderança indígena dos Kamayurás. Hoje, atua como pajé e como uma das vozes indígenas femininas mais expressivas do país.
A pajé conta que em sua aldeia as mulheres têm papel fundamental em todas as atividades – do cuidado com a rotina da comunidade à perpetuação oral de suas culturas. “A gente trabalha na roça, cuida dos animais, cria e educa as crianças, faz os artesanatos, cozinha, cuida da casa, lava as roupas, busca doações. É um trabalho sem fim que é obrigação da mulher”, detalha.
Tais responsabilidades na vida das mulheres da aldeia começam cedo: meninas Kayamurás ficam reclusas do resto da comunidade por meses e, em alguns casos, por anos, dentro das malocas, até alcançarem a adolescência. O ritual, um dos mais importantes da etnia, se inicia quando elas encaram seu primeiro ciclo menstrual. Ficam então confinadas, sem pegar sol nem ter contato social, por meses. O prazo de reclusão é determinado pelos seus pais e, em geral, tem relação com o tempo que elas levarão para aprender a fazer artesanato e cozinhar.
Nesse período, as kamayurás deixam o cabelo crescer e têm a alimentação reforçada por uma dieta de beiju, mingau e peixe. A intenção é que ganhem peso e curvas rapidamente. Também são ensinadas a amarrar fios de palha nas panturrilhas e nas coxas para engrossar a perna. No fim do isolamento, recebem uma maratona de conselhos de familiares sobre a vida, a família, filhos, trabalho, casamento e, enfim, cumprem o ritual que as transforma em mulher.
Quando termina a reclusão, é montada uma grande festa onde são apresentadas à aldeia como mulheres formadas. A partir daí, já podem decidir quando e com quem irão casar e, automaticamente, entram na rotina da aldeia: passam a trabalhar diariamente na roça, assumem os afazeres das ocas, buscam água no rio, cuidam das crianças umas das outras. Aprendem a passar e a eternizar, oralmente, a cultura Kamayurá. Algumas delas alcançam novos status quando são reintroduzidas à aldeia: viram parteiras, curandeiras, pajés, líderes.
Mapulu, além de líder, também é pajé Kamayurá. Atende pacientes e realiza partos em todo o Xingu. “Não tenho queixa da vida de mulher indígena. Trabalhamos muito, mas somos muito respeitadas entre os nossos. Mas no mundo fora da aldeia a mulher indígena precisa de mais espaço, de mais voz, de participação”, lamenta.
São mais de 400 milhões de indígenas no mundo. Desses, metade é composta por mulheres. São elas que criam gado, plantam, pescam e caçam para coletar alimentos para suas comunidades. Elas também são consideradas as guardiãs das sementes, plantas medicinais e da biodiversidade da floresta, além de guardiãs da cultura de suas etnias.
Apesar de suas contribuições, as mulheres indígenas não fazem parte da política e dos processos decisórios que afetam suas vidas. Geralmente, as políticas de proteção social não incluem suas opiniões e necessidades. E, apesar de sua riqueza de saberes, seu trabalho, conhecimento e necessidades, não estão representados nas estatísticas. Isso as torna invisíveis. “Sempre enfatizo a importância de levar as mulheres indígenas em consideração. Nós não somos pessoas que precisam de ajuda ou que são perpetuamente vulneráveis. Somos agentes de mudança. Temos potencial, mas esse potencial precisa ser catalisado”, disse Mariam Wallet Aboubakrine, presidente do Fórum Permanente da Organização das Nações Unidas sobre Questões Indígenas.
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/Brasil)
Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Contatos: (61) 2020-0120 / 0122 e imprensa@mda.gov.br

Nesse dia 15 de outubro, Dia das Mulheres Rurais, é hora de reconhecê-las como agentes essenciais no desenvolvimento da sociedade, uma vez que a contribuição delas para a segurança alimentar e nutricional é peça chave na erradicação da fome no mundo. Para aproveitar esse potencial, o mundo precisa enfrentar as desigualdades de gênero como um todo e, especialmente, superar as diferenças de gênero no setor agrícola.
É importante lembrar que as mulheres rurais são responsáveis por 45% da produção de alimentos no Brasil e nos países em desenvolvimento. E que, na maioria dos casos, seu trabalho segue do campo para uma árdua jornada de trabalho dentro das comunidades e de suas casas. Elas trabalham cerca de 12 horas semanais a mais que os homens. Ainda assim, somente 20% delas são proprietárias das terras onde trabalham.
Para se ter ideia do comprometimento e dedicação da mulher rural, cerca de 90% do que elas lucram no campo é reinvestido na educação e no bem-estar da família. Além da justiça social, o empoderamento feminino pode representar um aumento de 30% na produção agrícola e garantir a segurança alimentar do planeta.
Também é preciso lutar pela melhor representação das mulheres nos mecanismos de governança e nos processos de tomada de decisão. É preciso aprimorar seu acesso à terra, aos recursos financeiros e aos programas de proteção social, criando oportunidades para alçarmos mudanças reais.
As evidências mostram que quando as mulheres podem agir de forma autônoma os recursos naturais são melhor administrados, as fazendas são mais produtivas, a nutrição é melhorada e os meios de subsistência são mais seguros.
A FAO reconhece a importância da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres rurais. A igualdade de gênero é uma das pautas prioritárias para a organização. Quando as mulheres têm o poder de decidir, toda a sociedade se beneficia.
Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/Brasil)
Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
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Maria*, 51 anos, viveu tantos episódios de violência contra seu corpo e sua dignidade que naturalizou tais crimes como parte inerente da vida da mulher rural. Dos 7 aos 15 anos foi violentada pelo tio, que dividia o terreno onde morava com seus pais. Se casou aos 16 anos imaginando que se livraria dos assédios sexuais, mas encontrou, dentro do seu lar e de seu casamento, seu maior algoz.
Demorou 35 anos para entender que o estupro e a violência física não eram um direito adquirido pelo marido ao se casar. Quando o pai de seus cinco filhos faleceu, ela conta, experimentou, pela primeira vez na sua vida, a paz de espírito de não viver diariamente sob a ameaça do abuso.
“A vida da gente aqui no mato é diferente. Porque tem dores que a gente aceita e segue a vida. Eu demorei para entender o que não estava certo. Nunca tive nenhuma pessoa para falar para mim que não estava certo. Quando eu vi que a vida sem essa ameaça existia, chorei por mim mesma, pensando que podia ter sido tão diferente”, conta.
Maria nunca denunciou nenhum dos estupros ou violências físicas e psicológicas sofridas. Nem mesmo as compartilhava com as amigas ou vizinhas. O tabu, segundo a agricultora, ainda é presente em sua comunidade, em Goiás. “A gente sabe, percebe que alguém está passando essas dificuldades. Mas fica com medo de se meter. É muito comum. Se a gente se mete, pode piorar a situação”, lamenta.
A questão da violência rural ainda é uma grande incógnita em termos de estudos e levantamentos. Enquanto a sociedade tem discutido e estudado cada vez mais a violência sexual contra as mulheres, os debates e as pesquisas, muitas vezes, se restringem às cidades grandes, não incluindo um olhar direcionado às trabalhadoras rurais.
As singularidades que levam a uma falta de números para o desenho de um quadro real sobre a situação das mulheres no campo, são frutos do distanciamento geográfico delas em relação a diversos serviços: saúde, assistência social, educação e segurança. Tais empecilhos para o correto levantamento de dados, porém, precisam ser vencidos.
No estudo “Mulheres rurais e violências: leituras de uma realidade que flerta com a ficção”, dos pesquisadores André Luis Machado e Marta Julia Marques, a ideia de que as violências contra as mulheres são fruto direto de desigualdades sociais, de gênero, da distribuição injusta de renda, da dificuldade do acesso dos mais pobres aos bens de consumo explica parte do problema é apenas uma das visões válidas. “No entanto, considera-se que a forma de relação com essas disparidades econômicas, vividas por homens e mulheres, em especial, no rural, estão na gênese de conflitos violentos, ao vulnerabilizar, sobretudo, as mulheres como vítimas de atos violentos”, afirmam os pesquisadores.
De acordo com o estudo, nessa perspectiva, discutir pobreza e pobreza rural feminina, precisa, necessariamente, considerar o recorte de gênero, uma vez que as condições objetivas de trabalho se apresentam de forma diferente para homens e mulheres. As práticas femininas, historicamente invisíveis na esfera produtiva, permanecem subalternizadas nessas relações, em que o salário das mulheres é percebido não como fonte principal de renda, mas como rendimento complementar e como trabalho coadjuvante para o âmbito familiar. Assim, o debate sobre a “feminização” da pobreza evidencia a vulnerabilidade das mulheres
Tire suas dúvidas:
Quais as principais formas de violência praticadas contra a mulher?
– Violência física: qualquer ato que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
– Violência psicológica: qualquer ato que lhe cause dano emocional e diminuição de autoestima;
– Violência sexual: qualquer ato que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada;
– Violência patrimonial: qualquer ato que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos;
– Violência moral: qualquer ato que configure calúnia, difamação e injúria.
O que deve fazer uma mulher vítima de agressão?
Ligar para a Central de Atendimento à Mulher (180), acionado de qualquer terminal telefônico, 24 horas, todos os dias da semana. O atendimento informa e orienta as mulheres quanto ao que fazer. A mulher também pode comparecer à delegacia mais próxima, registrar a ocorrência e solicitar as medidas protetivas de urgência.
Após o registro na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), a vítima estará integralmente protegida pela Lei Maria da Penha?
Na esfera policial, a vítima vai requerer as medidas protetivas, cabendo ao juiz apreciá-las em 48 horas, após o recebimento. Elas somente produzirão efeito após apreciação e determinação judicial. A partir daí, o agressor, caso as descumpra, terá praticado crime de desobediência e estará sujeito a ter decretada sua prisão preventiva. Entre as medidas protetivas de urgência estão: suspensão da posse ou porte de armas; afastamento do lar ou da convivência com a ofendida; proibição de aproximar-se ou fazer qualquer meio de contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas; restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, entre outras determinações. Além das medidas protetivas, a vítima poderá imediatamente ser encaminhada à Casa Abrigo.
Qual é o procedimento policial após o registro da ocorrência? O agressor será preso?
Depende da situação. Ao verificar-se situação de flagrante de delito, o agressor será autuado e encaminhado, após o procedimento, à carceragem do Departamento de Polícia Especializada e, posteriormente, ao sistema penitenciário, ficando à disposição da Justiça. Há casos em que a lei permite pagamento de fiança. Não sendo caso de prisão em flagrante, o fato será registrado, a vítima, as testemunhas e o agressor serão formalmente ouvidos, e colhida representação ou requerimento da ofendida, quando houver. Todos os antecedentes criminais do autor serão pesquisados e juntados ao procedimento. O conjunto dessas diligências irá instruir o inquérito policial.
Como a mulher que depende financeiramente do seu agressor deve agir quando enfrentar situações de violência doméstica e familiar?
O juiz determinará, por prazo certo, a inclusão da mulher em situação de violência doméstica e familiar no cadastro de programas assistenciais dos governos federal, estadual e municipal. Entre outras medidas, o juiz pode determinar a recondução da ofendida e a de deus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor; restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida, entre outras medidas.
Pode um terceiro registrar a ocorrência em casos de violência contra a mulher ou apenas a vítima pode fazê-lo?
Nos crimes de ação pública, qualquer pessoa pode noticiar uma violência. Nos crimes de ação pública condicionada à representação da vítima, a notícia-crime de terceiro só terá prosseguimento se a vítima também representar contra o agressor. Nos crimes de ação privada — tais como crimes de injúria, calúnia, difamação —, somente a vítima poderá noticiar.
(Fontes: Cartilha Lei Maria da Penha & Direitos da Mulher, de 2011, org. Ministério Público Federal/Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – PFDC e Secretaria de Estado da Mulher do DF)
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/Brasil)
Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
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Francisca Alves Ribeiro acordava antes do sol se desenhar no horizonte, com o primeiro filho embrulhado em um pano num dos braços e a enxada no outro. Caminhava até uma árvore baixinha que fazia uma sombra boa e lá deixava o filho, ainda bebê, no chão sob a sombra. Empunhava a enxada e ia para a roça de frente a árvore trabalhar, fazendo pequenos intervalos para amamentar ou tirar formigas e insetos que subiam no menino.
Era com o filho a tiracolo que ela buscava o querosene na cidade mais próxima para poder ter luz durante a semana; com ele que ia cortar lenha no mato para alimentar o fogo das panelas; que carregava litros de água na cabeça, por quilometros, para garantir a água do banho, da limpeza, da comida e da sede da família.
Com a chegada de duas novas crianças, esse mesmo filho que acompanhava a mãe quietinho debaixo da árvore, passou a cuidar dos irmãos enquanto ela ia garantir o sustento. “Cansei de deixar meus filhos presos em casa enquanto saia para o mato. Deixava as panelinhas de comida cozida prontas. O mais velho cuidava dos menores, porque o marido nunca ajudava. Então eu o larguei. Criei meus filhos sozinha com muita luta. Ate hoje é assim no campo, a mulher trabalha o dobro mas ganha a metade. Ela não tem voz. Não nos dão credibilidade”, avalia Francisca, hoje com 58 anos.
Segundo a agricultora rural, que hoje cria cabras e abelhas no interior da Bahia, a chegada dos programas sociais melhorou as condições de vida das mulheres, com a construção de cisternas e a chegada da energia elétrica, por exemplo. Ainda assim, mesmo com avanços sociais que facilitaram a rotina, a forma como a mulher era encarada não avançou e a violência silenciosa que assolou gerações e gerações de mulheres rurais, segue como uma triste realidade.
Francisca se rebelou contra à falta de oportunidades e foi para a cidade tentar um cargo na política. Fez cursos, estudou sobre gestão orçamentária e, depois de algumas tentativas, se elegeu prefeita da cidade de Carinhanha, na Bahia. Lá, ocupou 50% da prefeitura da cidade com mulheres e ganhou a antipatia dos políticos locais. “A violência está com a gente o tempo todo. Na forma como te enxergam, na duvida que têm das suas potencialidades, na dificuldade que as mulheres enfrentam para obter crédito, para ter uma terra. Nas tarefas domésticas que não são divididas. Uma mulher do campo falar de política parecia uma afronta a masculinidade deles. Não nos davam o direito de pensar. O machismo é um problema muito sério e triste do mundo rural”, lamenta.
A garantia dos direitos das mulheres rurais é um pilar fundamental do desenvolvimento sustentável. As desigualdades de condições no acesso, posse e uso da terra com as quais lidam diariamente são consequencias da violência estrutural que se revela nas discrepantes oportunidades que homens e mulheres encontram em seus caminhos. Nas áreas rurais as desigualdades de gênero persistem também no acesso aos bens de produção, assistência técnica e recursos naturais.
A essas limitações acrescenta-se a exclusão que as mulheres vivem nas oportunidades de empregos, bem como o baixo valor de seu trabalho produtivo e suas contribuições na formação e reprodução do tecido social. Além disso, as mulheres assumem uma carga laboral não remunerada muito maior do que a dos homens – um dado que é uma realidade em todos os países em desenvolvimento.
Assim como as mulheres vêem sua autonomia econômica ameaçada, elas também sofrem desigualdades e ameaças a sua autonomia física e política, sendo mais vítimas de violência e também tendo menos oportunidades de exercer lideranças e participar da vida pública de suas comunidades.
Menos oportunidades para as mulheres são menos oportunidades para o campo: se as políticas estatais orientadas para o desenvolvimento rural não reverterem as desigualdades de gênero, então elas estão piorando a exclusão das mulheres. “O meu sonho é que toda mulher conseguisse encontrar, dentro delas, a força para se empoderar. Eu não tive quem me dissesse que eu era capaz. Apanhei de marido, fui ameaçada de morte várias vezes, sempre estive cercada de pessoas que diziam que não tinha valor. Mas me empoderei porque sabia que tinha esse valor. E se conseguimos empoderar cada mulher rural, faríamos uma revolução”, acredita a agricultora.
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/Brasil)
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O espaço da mulher no mercado de trabalho vem se transformando à medida que a sociedade vai evoluindo. No mundo moderno, as mulheres estão cada vez mais multitarefas e desafiadas a conseguir equilibrar diversos papéis no dia a dia: de mãe, esposa e profissional. As mulheres romperam diferentes barreiras no mercado de trabalho e chegaram a carreiras profissionais até então concentradas no público masculino. Hoje, são, executivas, empreendedoras, agricultoras e empoderadas.
O papel da mulher na sociedade sempre foi organizar diferentes situações, sendo conhecidas por fazerem muitas coisas ao mesmo tempo. Na agricultura familiar não poderia ser diferente, elas são as personagens principais de histórias de muito trabalho nas quais exercem a função da rotina doméstica, do cuidado com os filhos e da terra.
Normalmente em grupos de agricultores a liderança masculina é abundante, mas um grupo de mulheres lideradas por Maria do Socorro da Silva, de 56 anos, aceitou o desafio e vestiu a camisa do empoderamento feminino. Como resultado estão transformando a rotina e melhorando a qualidade de produção da Cooperativa de Produtores Rurais de Japeri (Agro Verde).
Segundo Maria do Socorro, as mulheres passam mais segurança e transmitem mais sensibilidade quanto aos desejos dos produtores. “No nosso caso, após um longo período de dificuldades de administração masculina dentro da cooperativa, as mulheres tomaram a iniciativa de assumir a frente e decidiram trabalhar em prol do pequeno produtor.”
O objetivo é usar uma visão ampla para auxiliar os produtores e com isso tornar o trabalho muito mais favorecido, pois a mulher tem um olhar diferenciado para as pessoas, elas não vêm apenas o produto e sim a condição dos produtores. Somente por meio do trabalho desenvolvido por eles é possível conseguir o fortalecimento com a participação em grande massa de mulheres agricultoras.
Maria afirma que seu principal papel como líder e presidente da Agro Verde é fazer com que as agricultoras não desistam e acreditem no seu cultivo, na sua terra. “O importante é perseverar pois estamos sempre correndo atrás e lutando por um futuro melhor.”
A prestadora de serviços jurídicos para a Agro Verde, Luciane Aguiar, 46 anos, pondera que existem desafios e obstáculos persistentes que as mulheres enfrentam, no entanto, em seu trabalho sente-se extremamente feliz por lidar diretamente com as agricultoras. “Acredito que as mulheres são muito competentes e capazes de conduzir um procedimento administrativo com muita força e dedicação. Estão trabalhando não só com o lado profissional, mas com o lado pessoal e social no empenho de valorizar a trabalhadora rural.”
As mulheres estão fazendo um papel fundamental na agricultura e esse engajamento tem possibilitado um crescimento individual, coletivo e principalmente social na vida das mulheres do campo, pois as tornam capazes, realizadas e independentes. Além disso, o cultivo da mulher é muito mais cuidadoso porque as agricultoras dão mais atenção ao seu plantio e ao manejo do solo.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a participação feminina no mercado de trabalho agrícola latino-americano quase dobrou desde 1975, quando foi celebrado o Ano Internacional da Mulher. Hoje já se reconhece o direito de uma mulher alcançar autonomia e independência econômica através de uma ocupação.
A cooperada Marlene Maria Rodrigues, 49 anos, destaca a importância do empoderamento feminino no campo. “Nós já fomos donas de casa, cozinheiras, enquanto os maridos trabalhavam nas lavouras e levavam o dinheiro para casa. A partir do momento que entendemos que nós somos importantes no contexto de produção, levantamos a cabeça e começamos a caminhar. As produtoras rurais estão descobrindo que além da produção que fazem no campo, elas podem agregar valores ao mercado. Hoje o forte da agricultura familiar é a mulher. Vamos em frente, nós podemos conquistar muito mais, o mundo é nosso.”
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Contatos: (61) 2020-0120 e imprensa@mda.gov.br

Irmã caçula de uma família de seis filhos do escritor Gustavo Corção, Teresa Corção nasceu no Rio de Janeiro, em 1955. Formada em Programação Visual em Londres, mudou de carreira em 1981, ao juntar-se a uma das irmãs para coordenar a culinária do restaurante “O Navegador”, do qual é proprietária e chefe executiva.
Há 16 anos, Teresa Corção percebeu que seu trabalho como chefe de cozinha poderia ter uma grande influência na sobrevivência dos agricultores locais, bem como em seus produtos alimentícios. E assim, para nutrir a agricultura familiar orgânica ela fundou em 2007, o Instituto Maniva, Organização Não Governamental, pioneira em trabalhar a gastronomia como instrumento de transformação social.
A aproximação da agricultura familiar começou em 2002, quando entrou no movimento Slow Food, que prega o comer consciente de maneira prazerosa e com qualidade. A partir desse momento, a ecochefe percebeu que podia iniciar uma mudança no escopo do seu trabalho interessando-se pela influência socioambiental ligada ao mundo da alimentação.
Em 2004, Teresa viajou para a Amazônia, cidade de Bragança (PA), lugar onde conheceu Seu Bené e Dona Maria, que trabalham na produção de mandioca e são professores da farinha. A ecochefe resolveu fazer um filme-documentário sobre o modo de fazer farinha d´água. A partir desse encontro e dos resultados que vieram depois, Teresa percebeu que existia um potencial muito grande na parceria com a agricultura familiar.
A princípio não tinham recursos nenhum para fazerem o filme, mas mesmo sem condições fizeram o curta-metragem, o qual foi apresentado em uma palestra internacional realizada por Teresa. O filme-documentário foi mandado para o Seu Bené e para a prefeitura de Bragança, que começou a promover essa cultura da farinha que estava esquecida e desmoralizada, principalmente a cultura da embalagem do paneiro de farinha feito com as folhas e talos da planta de Guarimã, folha típica da Amazônia.
Teresa Corção começou a procurar outros chefes de cozinha para promover essa farinha d’água empaneirada, por considerar que era muito importante e que não podia deixar esse produto desaparecer. “Essa etapa foi muito difícil, pois muitos chefes de cozinha não tinham interesse em promover isso, e outros achavam o produto mais caro que o produto embalado em plástico”, conta.
Para preparar o produto de peneiro de farinha a pessoa tem que ter o conhecimento para tecer, forrar com as folhas e fechar o peneiro, um trabalho ancestral, o que torna o produto mais trabalhoso, mas preserva a sustentabilidade e a qualidade de vida.
Depois desse contato com a farinha d’água empaneirada, Teresa começou a pesquisar sobre a farinha de mandioca. A ecochefe viajou para o Sul do país, perto de Florianópolis, onde conheceu Dona Rosa, produtora de farinha de mandioca orgânica que começou a fornecer para o restaurante. E foi a partir desse momento que o restaurante de Teresa Corção passou a ter alguns alimentos vindos diretamente dos agricultores familiares. Começou com três tipos de farinha: farinha de Bragança, farinha de Santa Catarina e a farinha de Copioba da Bahia.
A ecochefe começou a visitar muitos agricultores familiares e notou que as mulheres rurais exerciam uma dupla jornada, pois eram esposas, agricultoras e donas de casa. “Notei que as mulheres do campo sabiam fazer toda a produção da agricultura e além dessa tarefa, muitas vezes, chegavam cansadas em casa por causa do trabalho na roça e tinham que trabalhar para o sustento da família, cozinhar e cuidar dos filhos”. Teresa Corção passou a admirar muito essas mulheres rurais. “Eu acho essas mulheres muito guerreiras, muito fortes, não é à toa que nas cooperativas e nas associações as mulheres vêm conquistando seu espaço, tomando a frente e organizando. Elas não fogem à luta, não tem medo das dificuldades nem do comprometimento com o trabalho”, declara.
O Navegador
A admiração pelo trabalho exercido pelas mulheres rurais foi o que impulsionou a continuidade do trabalho da ecochef, que decidiu seguir pelo caminho da sustentabilidade e da qualidade de vida das pessoas. Foi o alicerce que usou na formação do seu restaurante. “Fui andando e formando meu restaurante com um grande diferencial, porque eu faço questão de ter no Navegador vários produtos da agricultura familiar”, destaca.
Os ingredientes dos pratos do Navegador têm carinho, alma, história e muito sabor. Teresa escolhe pequenos produtores da agricultura familiar de vários estados do Brasil, não só porque estes produtos são feitos artesanalmente, mas também por reconhecer o valor da mulher rural e desta forma poder apoiar a economia do país, ajudando a preservar o meio ambiente e a diminuir o êxodo rural.
Hoje Teresa Corção faz parte do grupo dos ecochefes que fazem movimentos no Rio de Janeiro, e buscam cada vez mais apoiar a mulher do campo. Teresa conta que pelas visitas que faz às agricultoras ela sempre aprende algo novo e, que apesar das dificuldades, ela segue confiante em apoiar e promover a mulher rural. “A gente passa por dificuldade, muitas vezes não somos reconhecidas no meio da gastronomia, às vezes não percebem que isso é muito importante, não só como suporte para a agricultura familiar, mas como divulgação dos produtos da biodiversidade brasileira”, afirma.
Apesar de toda luta, Teresa vem colhendo os frutos do reconhecimento dos agricultores, além de gostar da simplicidade do campo. “Eu gosto muito do caminho da roça, acho que tem que promover muito o turismo rural”. Com isso, Teresa Corção reconhece o legado da mulher no campo. “A mulher rural é a força do campo, sem ela não teria agricultura familiar. ”
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
Gabriela Morais, estagiária sob supervisão da Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Contatos: (61) 2020-0120 e imprensa@mda.gov.br

Em diversas épocas o homem celebrou momentos especiais ao redor da mesa. Comer é cultura. Tradições culinárias são patrimônios valiosos para um povo, agrega saberes atemporais e traz conotação de memórias afetivas passadas de geração em geração. Uma comida não é boa ou ruim por si só, nossos hábitos e vivências nos ajudam a reconhecê-la como agradável ao paladar.
Foi pensando na definição do gosto e na influência alimentícia da sociedade em que vivemos, que em 2014, a chef de cozinha Ana Bueno, 27 anos, fundou o projeto Escola de Comer, em Paraty (RJ), que surgiu do objetivo de melhorar a merenda servida na rede de ensino local, engajando chefes de cozinha e integrantes da comunidade escolar na capacitação de merendeiras, adoção de cardápios mais nutritivos e saudáveis nas escolas e também, incorporando alimentos da agricultura familiar à merenda.
Ana virou cozinheira por necessidade, tornou-se chef de cozinha graças a sua paixão, empenho e talento para surpreender. Paratiense de coração e afinada com as raízes e tradições da cidade histórica, descobriu seu potencial na culinária aos 17 anos, quando saiu da terra natal, São José dos Campos (SP), para morar na praia do Cachadaço, Vila de Trindade, localizada em Paraty (RJ).
Na bagagem, memórias da comida caipira do interior e ainda, a necessidade de sobreviver. Cozinhar era o que ela sabia fazer. Passou a vender na praia tortas, sanduíches e bolos batidos à mão, assados em um fogão sem forno, na base do improviso com tabuleiros e no sopro para que a brasa não queimasse a massa.
Ana deixou a cozinha entrar em sua vida. Entre os tantos aprendizados, chegou a cultivar uma pequena horta para garantir parte da alimentação e a trocar verduras por peixes e outros frutos do mar com os pescadores locais. O que parecia brincadeira foi tomando outros rumos e acabou por engrossar o caldo de saberes e determinação de sua trajetória predestinada ao sucesso.
Em 2014, a chef Ana Bueno, visitou escolas municipais a fim de convidar merendeiras e alunos para participarem da Folia Gastronômica. Durante a visita, foi realizado um reconhecimento do cardápio oferecido nas escolas e identificada a baixa qualidade da alimentação escolar e a precariedade das instalações físicas.
Para solucionar o problema foi proposta à Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Paraty a realização do projeto de requalificação da merenda escolar do município. O planejamento foi iniciado e, no segundo semestre de 2015, começaram a fornecer refeições do novo cardápio.
Com foco na gastronomia criativa e contemporânea, mas sempre ancorada nas fortes raízes da tradição caiçara, Ana Bueno não perde a doçura nem o tempero ao ampliar fronteiras. Teve a ideia de criar “A Escola de Comer”, quando estava escrevendo cadernos de receitas para presentear seus filhos. Esses cadernos continham receitas, segredos, conselhos, letras de música e muito amor.
“Tive a ideia de reproduzir esses cadernos nas escolas municipais. E assim foi feito em 8 escolas. Depois dessa visita inicial resolvi visitar todas as outras 24 escolas. Hoje um programa que requalificou a merenda escolar, desenvolveu a agricultura local e ainda, garante a parceria com a sociedade em forma de apadrinhamento das escolas, com apoio direto às merendeiras e professores com canal direto de comunicação com os pais”, justifica.
No começo eram oito fornecedores e hoje são mais de cem. Pessoas que voltaram a produzir e tem na merenda escolar uma fonte de renda garantida. No entanto, as dificuldades não param, a manutenção do voluntariado, o envolvimento dos gestores das escolas e a garantia de continuidade dos processos são uma luta diária.
Ana relata que durante as visitas às escolas, conheceu as profissionais da cozinha responsáveis pela alimentação das crianças, um cargo exercido 99% das vezes por mulheres, as merendeiras, com diferentes histórias. “Escutei cada uma delas e como um dos objetivos do Escola de Comer, decidi empoderá-las, valorizando e desenvolvendo suas habilidades para estarem aptas a exercer suas funções e sabendo de todos seus direitos como cidadãs. ”
Atualmente, o programa reúne voluntários, professores, merendeiras, nutricionistas e agricultores familiares em um grande esforço para garantir merenda de qualidade para os alunos da rede pública do município.
Além da cozinha do Banana da Terra, seu restaurante, ela comanda um bufê e organiza e coordena o festival Folia Gastronômica, criado em 2003 e relançado em novo formato em 2014, quando passou a oferecer aulas gratuitas com chefs, programação cultural, programação infantil e juvenil, quiosques de rua, atividades de valorização da culinária local e circuito gastronômico nos restaurantes da cidade. A Folia e a Escola de Comer foram muito importantes para que Paraty recebesse da Unesco, em outubro de 2017, o selo de Cidade Criativa por sua gastronomia.
Sobre uma alimentação correta ela destaca: “não sou radical com relação à comida saudável. Considero comida saudável o alimento fresco, plantado e colhido pelos produtores da minha região e é nisso que meu trabalho é baseado. Foi assim desde o começo por que eu não tinha outro caminho. Era isso que eu sabia fazer, que eu conhecia e fazia parte da minha cultura. ”
Durante toda a jornada, Ana conheceu muitas mulheres, empresárias, cozinheiras, agricultoras, e isso a fez convicta de que a igualdade é essencial para que todos possam exercer cidadania, fazendo do mundo um lugar melhor. E finaliza dizendo: “como mulher tenho consciência de que o sexo feminino nunca me prendeu a nenhuma situação, acredito que lugar de mulher possa ser na cozinha e onde ela mais quiser estar, tendo direitos iguais a qualquer outra pessoa, independente de sexo ou crença. ”
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
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No início da civilização, o comércio era feito na base do escambo, ou seja, pela troca de mercadorias. Criado no século VII a.C., o dinheiro surgiu com o intuito de facilitar as trocas comerciais. Atualmente, a materialização de valores mais conhecida é a cédula, ou nota. Mas a cédula não tem um dono específico, não existe um nome atrelado a ela. Ao entregar o papel para alguém não existem garantias de qual será seu fim. Entretanto, imagine a ideia de conseguir anexar uma identidade à nota? Ou um contrato? Para que assim, o proprietário saiba exatamente a trajetória percorrida por seu dinheiro. Logo, uma pessoa na América do Sul poderia investir em projetos na África sem nenhuma preocupação.
De acordo com as estimativas mais recentes do Banco Mundial existem cerca de 2 bilhões de pessoas não-bancarizadas em todo o mundo. Elas sofrem com a falta de acesso a crédito ou a empréstimos comerciais, o que limita severamente as possibilidades de crescimento econômico. Pressionados por taxas de juros imprevisíveis, empréstimos predatórios e uma incapacidade de estabelecer crédito, os produtores locais não-bancarizados, muitas vezes, não conseguem acessar o capital necessário para expandir seus negócios e estabelecer uma segurança financeira significativa.
Com isso em mente, a mineira Taynaah Reis, de 30 anos, descobriu na tecnologia um meio de ajudar, de conectar pessoas que querem investir e as que precisam de investimento. Em 2017, a primeira criptomoeda brasileira de sucesso foi criada com o propósito de abordar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Por intermédio do Programa Moeda Semente, a Moeda facilita o acesso ao crédito. Com isso, eles podem crescer e trazer desenvolvimento às suas comunidades. Por meio da transparência da tecnologia blockchain (tipo de base de dados distribuída que guarda um registro de transações permanentes e à prova de violação), pessoas do mundo todo podem investir com agilidade e transparência nos empreendimentos, participando do crescimento sustentável, em uma nova relação de confiança em que pessoas investem em pessoas.
A CEO destaca que os bons resultados da Moeda são a concretização de um sonho. “Hoje a Moeda tem mais de 3.000 investidores, em sua maioria chinesa. Ou seja, o pessoal do outro lado do mundo pode investir nos projetos selecionados pelo nosso Programa Moeda Semente. Então é bonito de ver. É uma realização pessoal. Digo mais, para mim é uma missão de vida. Poder viver o meu sonho para ajudar o sonho de muitas outras pessoas. É uma realização que não tem preço. ”
Os empreendimentos selecionados, chamados Projetos Semente, recebem apoio também em áreas técnicas, de negócios e de sustentabilidade por meio do Programa Moeda Semente. Como é o caso da Cooperval, presidida por Dona Divina, a qual recebeu investimento de cerca de nove países diferentes.
Uma cerveja para mudar o futuro
O primeiro Projeto Semente acontece no interior de Goiás, numa cooperativa a 50 quilômetros da cidade de Formosa: a Cooperval, que reúne 170 famílias. Há 10 anos, as mulheres da cooperativa recuperam a história do Cerrado em forma de receitas tradicionais que usam para criar pães, geleias e doces com frutos nativos. Além disso, produzem hortaliças e polpas de fruta. Os alimentos abastecem escolas municipais da região por meio de programas do governo.
A Cooperval mandou um projeto para a Moeda financiar o crescimento da produção — eles precisavam de máquinas e equipamentos. Mas o time técnico identificou que a comunidade teria poucas condições de pagar de volta o financiamento. O ideal seria aumentar a capacidade dessas mulheres de pagarem o investimento. Dessa forma, nasceu o Projeto Semente Cooperval Cerveja Artesanal.
O projeto está focado num dos frutos nativos que a cooperativa processa, o baru, castanha com sabor parecido ao do amendoim, que vende a US$ 13 o quilo. Para aumentar esse valor, a ideia foi produzir uma cerveja artesanal com o fruto. O Programa Moeda Semente desenvolveu um plano de negócios, fechou parceria com uma cervejaria local, contratou sommeliers e se tornou co-brander da “Dona Divina Baru Beer”. E o valor enviado pelos investidores desse projeto vai viabilizar um empréstimo de US$ 8.000. A meta é produzir 1.500 garrafas, cada uma a ser vendida por 8 dólares. Com o lucro, a cooperativa vai poder pagar o financiamento com taxas em dezembro de 2018 e os investidores vão receber bônus de 10% em MDABRL (token Moeda atrelado ao valor do Real).
Para Formosa, a receita da cerveja vai ajudar em várias frentes. A Cooperval vai poder compras máquinas para aumentar a produção de hortaliças e implantar um sistema de gotejamento que usa pouca água e pouquíssima energia elétrica. Também vai adquirir equipamento para beneficiar o baru, permitindo aumentar o lucro da venda do fruto in natura. Além disso, a cooperativa poderá desenvolver a produção de mudas do baru e difundir seu plantio junto a mais de 3.000 famílias de agricultores familiares da região. O baru, que hoje beira a extinção, pode deixar de ser extrativismo e se tornar atividade comercial ambientalmente relevante. O replantio da cultura nativa garante a sustentabilidade da produção e a renovação do solo.
Outra parte importante desse e de todos os próximos investimentos da Moeda é a implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU. Esse projeto, em particular, aplica os Objetivos de números 9, 10 e 12. Além de aumentar a rentabilidade das famílias da cooperativa, o investimento impacta a comunidade a longo prazo, criando as raízes de uma cultura sustentável que é a base para o crescimento constante, segurança alimentar e referência para outros empreendedores de impacto.
Na outra ponta do projeto estão investidores do mundo todo. Eles usam os MDAs (criptomoeda da Moeda) para realizar o investimento de forma ágil e simples. A transação acontece toda na plataforma Moeda e permite que os apoiadores acompanhem todos os passos com a transparência oferecida pela tecnologia blockchain.
Tudo isso traduz o posicionamento da Moeda de ser mais que uma plataforma tecnológica. A missão da marca é humanizar as finanças para distribuir impacto. Os investidores têm transparência no investimento e, ao mesmo tempo, transparência na relação pessoa-pessoa; eles podem conhecer a Dona Divina, entender a realidade da Cooperval e saber exatamente que impacto seu apoio vai proporcionar. É uma nova relação de confiança que extrapola os produtos do sistema bancário tradicional. O blockchain acaba sendo veículo para redefinir uma relação de confiança que atua no processo de troca de valores e também no envolvimento entre investidor e empreendedor de impacto.
O Projeto Semente Cooperval Cerveja Artesanal tem previsão para ser finalizado em dezembro de 2018. A data vai ser marcada com um evento em que Dona Divina fará o pagamento do aporte inicial. Nessa época, a Moeda vai apresentar os resultados e lançar os novos investimentos.
15 dias pela autonomia das mulheres rurais
Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, ainda não possuem o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito, com a desigualdade de gênero e com outros problemas que herdaram da vida. Ainda há um longo caminho para o equilíbrio de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A fim de mostrar que equidade de gênero e respeito são valores necessários cotidianamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que 2018 seria o Ano da Mulher Rural.
Pensando nisso, a partir do primeiro dia do mês de outubro, iniciamos, no portal, uma série de matérias que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe - 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.
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